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Negócios: quando o milagre não acontece

Postado por Roberto Marques,

“E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto.” (Rm 8.28)

Por que alguns de nossos projetos não se concretizam? Por que aquele negócio que tanto esperamos fechar não acontece? Onde estará Deus quando precisamos de um milagre? Por que Ele não intervém em nosso favor quando mais precisamos?

Lemos na Bíblia os milagres sobrenaturais que Deus fez na vida de milhares de homens e mulheres. Lemos sobre a abertura do Mar Vermelho, a água brotando da rocha, o pão caindo do céu, a queda do muro de Jericó, a morte do gigante Golias, a multiplicação dos pães, a pesca maravilhosa. Lemos sobre doentes crônicos que ficaram curados, cegos de nascença que tornaram a enxergar, mortos que ressuscitaram, e muito mais.

É lógico que acredito em milagres e já testemunhei muitos deles. Mas quando o milagre que esperamos não acontece em nossa vida? É fácil louvar a Deus por um livramento. O difícil é louvá-lo na tribulação.

Sabemos que vários fatores determinam o nosso fracasso – dentre eles, as escolhas erradas que fazemos. Mas considere a história de Pedro e Tiago, discípulos de Jesus, chamados e escolhidos pelo Mestre. Durante a perseguição da igreja, Herodes encarcerou-os na prisão. A igreja orava sem cessar para que Deus os livrasse. O livro de Atos narra a milagrosa libertação de Pedro por um terremoto que sacudiu os alicerçares da prisão e abriu as portas e soltou as suas cadeias (At 16.26). Mas as Escrituras também registra que por aquele mesmo tempo o rei Herodes “matou à espada Tiago, irmão de João” (At 12.2). Pedro foi salvo, e Tiago decapitado. Por quê? Onde estava Deus? Será que Ele prefere uns a outros? É em momentos como esse que concluímos saber muito pouco sobre a providência de Deus.

A palavra “providência”, do latim providentia (derivada de provideo, ou “ver antes”), o que significa “ver com antecipação”. Deus vê tudo antes de acontecer. Foi no livro de Gênesis que pela primeira vez o Senhor se fez conhecer como Jeová Jireh, o Deus Provedor (Gn 22.7,8,14,15). Jeová é a tradução aportuguesada para o nome de “Deus”. Jireh é o verbo hebraico para “ver”, que aqui se traduz como “prover”. A visão de Deus é provisão. Podemos traduzir deste modo: “Deus verá o que há de fazer”. Jeová Jireh é o Deus que vê o futuro e prepara antecipadamente tudo para os Seus filhos.

Sendo Deus soberano, eterno e amoroso, Ele sempre trabalha para o nosso bem, mesmo que não entendamos isso no momento. Deus é aquele que vê antes, Isto é, provê o que é melhor para nós. NEle “nada nos faltará” (Sl 23.1), o que exclui qualquer possibilidade de sofrermos falta de alguma coisa necessária e importante para nós.

A prisão de José, o sofrimento de Jó, a provação de Daniel, a morte de Moisés às portas de Canaã, o falecimento de Lázaro, a decapitação de Tiago, o espinho na carne de Paulo, a morte de Jesus não tinham explicações aparente, mas no futuro revelaram o propósito benigno de Deus para eles e para toda a humanidade.

Muitas coisas aparentemente ruins acontecerão em nossa vida, pelas quais muito lamentaremos e choraremos. Contudo, ainda que em meio à dor, lembraremos que Deus é amor, e Ele fará com que todas as coisas concorram para o nosso bem, o bem daqueles que Ele ama, nós, Seus filhos.

Creia nisso e descanse no Senhor.

“Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado” (Mt 25.29).


Que os fins não justificam os meios antiéticos ou imorais é um princípio bíblico. Roubar, piratear, fraudar, mentir ou enganar não justifica apenas porque me ajudariam a alcançar o meu objetivo. Entretanto, a não ser por isso, tal princípio é totalmente sem propósito no mundo dos negócios.

Diariamente os empresários buscam meios que realizem melhor os seus fins. Fazer o que for possível para chegar ao fim de forma mais rápida e eficiente possível. É o que chamamos de pragmatismo – uma idéia só tem sentido acompanhada de resultados práticos. O típico pastor de igreja considera o pragmatismo uma atitude mundana, presumindo que a igreja é boa e o mundo é mau.

Os executivos colocam grande ênfase na eficiência. Para muitos pastores de igreja, cuja eficiência nas operações eclesiásticas não é uma prioridade, isso representa insensibilidade e desumanidade em relação às necessidades emocionais das pessoas, que, do ponto de vista deles, deveria ser prioridade também no mundo dos negócios.

Para muitos pastores “o processo é muito mais importante que o resultado final”. Jamais um empresário diria algo tão sem sentido. No mundo dos negócios o resultado é a própria condição para sobrevivência da empresa.

Na Parábola dos Talentos (Mt 25.14-30), Jesus ilustra bem essa verdade. Um homem de negócio (representando Deus) dá a três empregados uma quantidade de dinheiro para que eles o multiplicassem. O senhor os envia para fazerem negócio e parte numa viagem. Quando regressa exigi contas aos empregados. Os dois que cumpriram a tarefa com sucesso foram chamados de servos bons e fiéis e recompensados. No entanto, quando o terceiro retorna com a mesma quantia, o mestre o chama de “servo mau e negligente” (v26) e o despede de imediato. Essa parábola une sucesso e fidelidade.

Como um homem ou mulher de negócios podem separar os meios do fim? Aqueles que tentam separar fidelidade a Deus de resultado comercial cometem um erro. Produzir riquezas é um dom de Deus (Dt 8.18). Negligenciar esse dom é que é pecado.

Sim, no mundo dos negócios os fins justificam os meios.

“Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns” (1Co 0.22).


Por muito tempo o mundo dos negócios foi visto pela igreja como um local de pecado e concessões que minam a vida espiritual do crente. Esse modo de pensar tem afastado de Deus e do Salvador milhares de homens e mulheres de negócio.

Infelizmente, muitos pastores de igreja não compreendem as decisões difíceis que o empresariado brasileiro diariamente enfrenta para continuar produzindo riquezas, pagando impostos e gerando empregos. A maioria desses líderes religiosos não tem a menor idéia de como a vida realmente é no mundo dos negócios.

No Novo Testamento a palavra “igreja” (eklesia) significa simplesmente “povo de Deus”. Essa palavra é usada para os cristãos reunidos nas congregações (At 16.5) e dispersos onde quer que eles se encontrem (At 20.28). É o mesmo cristão, mas vivendo em ambientes diferentes, e, portanto, em culturas diferentes. Cada cultura, ou subcultura, tem seu próprio código de conduta, isto é, suas leis escritas e suas leis não escritas. Isso nada mais é que antropologia básica.

O modo de operar de cada cultura não é secreto ou criminoso. É simplesmente a maneira normal de convivência daquela cultura. Por isso notamos a diferença de conduta de um bom cristão aos domingos nos serviços da igreja e outra bem diferente nos outros seis dias da semana no ambiente de trabalho. Se você observar as sete igrejas em Apocalipse, e também as igrejas que Paulo tratou, todos têm uma coisa em comum: a individualidade.

O ambiente empresarial não é pior que o ambiente congregacional, é apenas diferente. Infelizmente, a maioria dos pastores tem a tendência de avaliar a vida e o comportamento dos cristãos pelo padrão do código de conduta da igreja quando está reunida prestando serviço no templo, e esse padrão, de acordo com o entendimento deles, deveria aplicar-se a todos os sete dias da semana, quando a igreja está dispersa no ambiente de trabalho. E é exatamente aí a raiz das incompreensões e dos conflitos.

Esses líderes da igreja local tendem a considerar as decisões éticas em termos de certo ou errado, branco ou preto, sim ou não, sem nenhuma nuança. Entretanto, No mundo dos negócios, muitas vezes, não existe opção boa. A ética no ambiente de trabalho nem sempre é tão simples assim. Se a sua única opção é entre uma decisão ruim e outra pior ainda isso será muito difícil, porque os críticos estarão dos dois lados do argumento.

Não me entenda mal. Não estou propondo a “ética da situação”, nem algum tipo de “relativismo moral”, apenas saliento que há um comportamento apropriado em cada cultura e que nenhuma deles e mais correto e inteligente que o outro. São apenas diferentes porque as bases de relacionamento também são diferentes. Uma é fraternal e outra empresarial.

Quem é empresário sabe que não há como sobreviver no mundo dos negócios sem fazer concessões. Entretanto, há linhas éticas, morais e espirituais que não podem ser ultrapassadas. Tanto José, Daniel e Ester chegaram ao topo porque foram capazes de adaptarem-se culturalmente às culturas egípcia, babilônica e persa, respectivamente, em que se encontravam. Para os três hebreus, a vida profissional envolveu muitas decisões difíceis que levaram a concessões inconvenientes. Entretanto, José não fez concessões à imoralidade (Gn 39), Daniel não fez concessões à idolatria (Dn 3) e Ester não fez concessões à injustiça (Et 4).

Certamente José, Daniel e Ester seriam reprovados pelo código de conduta do povo hebreu, assim como a igreja primitiva reprovou as condutas de Jesus (Pv. 23.20; MT 11.19) e de Paulo (Gl 2.7,8,11-14). Hoje não é diferente.

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