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Breve História do Trabalho Humano

Postado por Roberto Marques,

“E tomou o Senhor Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar” (Gn 2.15).

     O trabalho é uma necessidade natural da raça humana, sem a qual ela não pode existir. Nesse processo de produção de bens materiais, os homens, voluntária ou forçadamente, se relacionam entre si, de uma forma ou de outra.
     Desde o princípio, temos conhecido seis regimes diferenciados de relações de produção, a saber: o edênico, as comunidades primitivas, a escravidão, o feudalismo, o capitalismo e o socialismo.
     O Regime Cristão surge como uma nova proposta de superação dos regimes capitalista e socialista, no sentido da construção de novas relações de produção para uma sociedade, mais humana, mais livre e mais feliz.
     Na Nova Terra, segundo a Bíblia, a igreja retornará ao regime de trabalho ideal: o Edênico ou Celestial.

Regime Edênico
     Desde o princípio o homem é chamado ao trabalho. Mesmo antes da entrada do pecado no mundo, Deus instituiu o trabalho humano (Gn 2.15). Portanto, o trabalho foi instituído para o nosso benefício. O “domínio” do homem sobre a terra se realiza no trabalho e mediante o trabalho (Gn 1.26-28). Depois da Queda, o trabalho foi justamente a área atingida, mas não revogada (Gn 3.17-19). O regime edênico traz uma lição para todos os tempos: o trabalho é uma instituição divina. Deus indicou o trabalho como uma bênção para o homem, a fim de ocupar-lhe o espírito, fortalecer o corpo e desenvolver as faculdades.

Regime Comunitário Primitivo
     Após deixar o jardim do Éden, o homem inicia o processo de ter que “no suor do rosto” comer o seu pão de cada dia (Gn 1.19). Com ferramentas rudimentares busca o sustento na caça, pesca e colheita de frutos silvestres; posteriormente inicia a agricultura elementar. Com sérias dificuldades para sobreviver sozinho, inicia o trabalho coletivo. Nesse sistema os integrantes estavam em condições iguais e cada trabalhador recebia a sua quota conforme suas necessidades. Entretanto, com o desenvolvimento da indústria artesanal, o regime da comunidade primitiva entra em fase de desintegração. A tribo descompõe-se em famílias, estas em unidades econômicas separadas. O trabalho comunitário dá lugar à propriedade particular.

Regime Escravocrata
     O proprietário do trabalho passa a deter a posse dos meios de produção, bem como dos trabalhadores: os escravos. O trabalho físico passa a ser visto como indigno de homens livres. Os escravos são afligidos com terríveis sofrimentos. A mão de obra quase de graça permite a construção de grandes obras públicas. Ocorre a divisão do trabalho em especializações e o aperfeiçoamento das técnicas e dos instrumentos. Mas chega um momento que não é mais possível confiar a produção a escravos, que não tinham, evidentemente, interesse em se aperfeiçoar profissionalmente. O regime escravista sucumbe e dá lugar a um novo regime de relações produtivas: o feudalismo.

Regime Feudal
     O regime feudal é centrado nos proprietários de terras: os senhores feudais, que recebiam terras do rei em pago ao apoio militar. Os servos, considerados semilivres, recebiam emprestado um pedaço de terra, ferramentas e instalações para produção, de forma bastante onerosa, mas que tinham que aceitar, pois não dispunham desses elementos necessários ao seu trabalho. Estavam obrigados a viver e trabalhar na propriedade, pois dependiam dos senhores feudais.
     A partir do século XVI começam a aparecer empresas empregando trabalhadores, o comércio cresce além mar e realizam-se grandes descobrimentos científicos e técnicos. Aos poucos se vai estruturando no seio da sociedade feudal o novo sistema: o capitalismo.

Regime Capitalista
     Os homens fugindo da servidão e sem propriedades, são empurrados pela necessidade às fábricas. A burguesia, classe detentora do novo sistema de produção, precisava de mão de obra livre. Começam as revoluções burguesas, sendo a mais importante delas, a Revolução Francesa de 1789. O capitalismo se desenvolve e cria a sua própria revolução: a Revolução Industrial. Mas o novo regime mostra uma acumulação de riquezas em um extremo e muita miséria no outro.
      Em outubro de 1917 teve lugar na Rússia uma revolução de tipo operária, que transforma a estrutura do país e que procura estabelecer uma nova etapa nas relações de produção: o regime socialista.

Regime Socialista
     A base do sistema socialista de produção é a propriedade social dos meios de produção. Mas diferentemente do regime da comunidade primitiva, pretende que a socialização apóie-se na força do Estado.
     No socialismo (ou comunismo) a economia russa conhece uma expansão rápida, mas o país continuava pobre, com a agricultura predominando sobre a atividade industrial. O socialismo não triunfa nas nações industrializadas da Europa Ocidental, e somente nos países subdesenvolvidos da Europa Oriental e Ásia.
     O capitalismo se expande na Europa Ocidental e investe nos países que tinham adotado o socialismo, onde cresciam novas categorias de trabalhadores assalariados com diferentes interesses que levaram ao desmoronamento da Rússia comunista.

Regime Cristão
     No Antigo Testamento, o serviço era algo que se fazia em favor de alguém (Gn 25.23; 30.26-2). No Novo Testamento a palavra “ministério”, do grego diakonia, é também traduzida por “serviço”. Quando prestamos qualquer serviço, religioso ou profissional, estamos fazendo “como para o Senhor e não para os homens” (Cl 3.23; cf. Mt 25.40). O trabalho faz parte de “tudo” o que fazemos “para a glória de Deus” (1Cr 10.31).
     Na cruz Jesus nos trouxe paz com Deus reconciliando com Ele “todas as coisas” (Cl 1.20; cf. 2Co 5.19), e isto inclui o trabalho. Cabe aos cristãos, como parte integrante da sua missão, resgatar o propósito original do trabalho: uma obra de Deus.

Regime Celestial
     Ao falar sobre a Nova Terra, Deus disse: “Eis que Eu faço novas todas as coisas!...” (Ap 21.5; cf. Is 65.17). A expressão “todas as coisas” inclui o Trabalho Humano. Será um regime perfeito (1Co 2.9). O fim do desemprego, do fracasso, do cansaço, da humilhação, da exploração, das disputas. Um mundo do trabalho completamente diferente do que conhecemos. Imagine um mundo onde você poderá exercer plenamente a sua vocação, fazendo o que gosta, além de nunca mais ter que suar a camisa para realizar seus desejos. O Paraíso era o mundo de Adão, antes do pecado. E será o seu novo mundo, depois dele.

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