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A Força dos Sonhos

Postado por Roberto Marques,

A única vitória que não é alcançada e àquela que não é desejada.

Algumas pessoas vencem porque um dia lhes apareceu uma oportunidade extraordinária. Mas a maioria venceu porque trabalhou duro para realizar seus sonhos.

“Não havendo bois, o celeiro fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheita” (Pv 14.4). Para se ter uma colheita abundante e os celeiros estarem sempre cheios é necessário “ter bois”. No tempo de Salomão, eram os bois que aravam a terra. Sem a força dos bois o campo não passava de um terreno vazio. Mas os bois precisavam ser domesticados, alimentados e treinados para o serviço.

“Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem ser-lhe-á tirado” (Mt 25.29).


Que os fins não justificam os meios antiéticos ou imorais é um princípio bíblico. Roubar, piratear, fraudar, mentir ou enganar não justifica apenas porque me ajudariam a alcançar o meu objetivo. Entretanto, a não ser por isso, tal princípio é totalmente sem propósito no mundo dos negócios.

Diariamente os empresários buscam meios que realizem melhor os seus fins. Fazer o que for possível para chegar ao fim de forma mais rápida e eficiente possível. É o que chamamos de pragmatismo – uma idéia só tem sentido acompanhada de resultados práticos. O típico pastor de igreja considera o pragmatismo uma atitude mundana, presumindo que a igreja é boa e o mundo é mau.

Os executivos colocam grande ênfase na eficiência. Para muitos pastores de igreja, cuja eficiência nas operações eclesiásticas não é uma prioridade, isso representa insensibilidade e desumanidade em relação às necessidades emocionais das pessoas, que, do ponto de vista deles, deveria ser prioridade também no mundo dos negócios.

Para muitos pastores “o processo é muito mais importante que o resultado final”. Jamais um empresário diria algo tão sem sentido. No mundo dos negócios o resultado é a própria condição para sobrevivência da empresa.

Na Parábola dos Talentos (Mt 25.14-30), Jesus ilustra bem essa verdade. Um homem de negócio (representando Deus) dá a três empregados uma quantidade de dinheiro para que eles o multiplicassem. O senhor os envia para fazerem negócio e parte numa viagem. Quando regressa exigi contas aos empregados. Os dois que cumpriram a tarefa com sucesso foram chamados de servos bons e fiéis e recompensados. No entanto, quando o terceiro retorna com a mesma quantia, o mestre o chama de “servo mau e negligente” (v26) e o despede de imediato. Essa parábola une sucesso e fidelidade.

Como um homem ou mulher de negócios podem separar os meios do fim? Aqueles que tentam separar fidelidade a Deus de resultado comercial cometem um erro. Produzir riquezas é um dom de Deus (Dt 8.18). Negligenciar esse dom é que é pecado.

Sim, no mundo dos negócios os fins justificam os meios.

“Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns” (1Co 0.22).


Por muito tempo o mundo dos negócios foi visto pela igreja como um local de pecado e concessões que minam a vida espiritual do crente. Esse modo de pensar tem afastado de Deus e do Salvador milhares de homens e mulheres de negócio.

Infelizmente, muitos pastores de igreja não compreendem as decisões difíceis que o empresariado brasileiro diariamente enfrenta para continuar produzindo riquezas, pagando impostos e gerando empregos. A maioria desses líderes religiosos não tem a menor idéia de como a vida realmente é no mundo dos negócios.

No Novo Testamento a palavra “igreja” (eklesia) significa simplesmente “povo de Deus”. Essa palavra é usada para os cristãos reunidos nas congregações (At 16.5) e dispersos onde quer que eles se encontrem (At 20.28). É o mesmo cristão, mas vivendo em ambientes diferentes, e, portanto, em culturas diferentes. Cada cultura, ou subcultura, tem seu próprio código de conduta, isto é, suas leis escritas e suas leis não escritas. Isso nada mais é que antropologia básica.

O modo de operar de cada cultura não é secreto ou criminoso. É simplesmente a maneira normal de convivência daquela cultura. Por isso notamos a diferença de conduta de um bom cristão aos domingos nos serviços da igreja e outra bem diferente nos outros seis dias da semana no ambiente de trabalho. Se você observar as sete igrejas em Apocalipse, e também as igrejas que Paulo tratou, todos têm uma coisa em comum: a individualidade.

O ambiente empresarial não é pior que o ambiente congregacional, é apenas diferente. Infelizmente, a maioria dos pastores tem a tendência de avaliar a vida e o comportamento dos cristãos pelo padrão do código de conduta da igreja quando está reunida prestando serviço no templo, e esse padrão, de acordo com o entendimento deles, deveria aplicar-se a todos os sete dias da semana, quando a igreja está dispersa no ambiente de trabalho. E é exatamente aí a raiz das incompreensões e dos conflitos.

Esses líderes da igreja local tendem a considerar as decisões éticas em termos de certo ou errado, branco ou preto, sim ou não, sem nenhuma nuança. Entretanto, No mundo dos negócios, muitas vezes, não existe opção boa. A ética no ambiente de trabalho nem sempre é tão simples assim. Se a sua única opção é entre uma decisão ruim e outra pior ainda isso será muito difícil, porque os críticos estarão dos dois lados do argumento.

Não me entenda mal. Não estou propondo a “ética da situação”, nem algum tipo de “relativismo moral”, apenas saliento que há um comportamento apropriado em cada cultura e que nenhuma deles e mais correto e inteligente que o outro. São apenas diferentes porque as bases de relacionamento também são diferentes. Uma é fraternal e outra empresarial.

Quem é empresário sabe que não há como sobreviver no mundo dos negócios sem fazer concessões. Entretanto, há linhas éticas, morais e espirituais que não podem ser ultrapassadas. Tanto José, Daniel e Ester chegaram ao topo porque foram capazes de adaptarem-se culturalmente às culturas egípcia, babilônica e persa, respectivamente, em que se encontravam. Para os três hebreus, a vida profissional envolveu muitas decisões difíceis que levaram a concessões inconvenientes. Entretanto, José não fez concessões à imoralidade (Gn 39), Daniel não fez concessões à idolatria (Dn 3) e Ester não fez concessões à injustiça (Et 4).

Certamente José, Daniel e Ester seriam reprovados pelo código de conduta do povo hebreu, assim como a igreja primitiva reprovou as condutas de Jesus (Pv. 23.20; MT 11.19) e de Paulo (Gl 2.7,8,11-14). Hoje não é diferente.

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