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     O economista e filósofo escocês Adam Smith, que viveu no século XVIII, considerado o pai da economia moderna, passou para a história como o primeiro pensador a perceber o caráter benéfico da empresa privada. Em sua obra mais conhecida A Riqueza das Nações (1776), que continua sendo uma referência para gerações de economistas, procurou demonstrar que a riqueza das nações resultava da atuação de indivíduos que, movidos apenas pelo seu próprio interesse (self-interest), promoviam o progresso, a libertação das pessoas e o avanço do bem-estar comum.
     Adam Smith sabia que a procura da riqueza mudava o mundo para melhor - embora não tornasse os ricos mais virtuosos ou bem-intencionados – pois o seu valor social não está nas virtudes ou intenções de quem a gera, e sim nos efeitos de seu atos. Smith ilustrou bem seu pensamento ao atribuir seu bife do jantar não à benevolência do açougueiro, mas ao seu empenho em ganhar dinheiro vendendo carne.

Trabalho e Reino de Deus

Postado por Roberto Marques,

“Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.” (1Co 10.31)

Existe no meio cristão uma confusão a respeito do termo “Reino de Deus”. Esta é uma das razões pelas quais a igreja resiste a aceitar “a noção de que o povo de Deus no ambiente de trabalho é na verdade uma forma legítima da igreja” (Peter Wagner).

Reino de Deus e igreja não é a mesma coisa. O Reino de Deus não está restrito às paredes de uma igreja local. Ele é mais amplo que isso e abrange todo ambiente onde Deus é honrado e glorificado. O que pode incluir e até excluir muitas congregações religiosas.

Segundo Peter Wagner (2007), o Reino de Deus é algo real, tangível, existe aqui na terra neste exato momento e pode ser encontrado. Assim ele o descreve:
“[...] o Reino de Deus não é simplesmente uma metáfora ou uma figura de linguagem; ele é tangível. Não é algo que estejamos esperando. Ele existe aqui na terra neste exato momento. O reino de Deus deve ser encontrado onde quer que haja indivíduos exaltando Jesus Cristo como seu Rei. Eles reconhecem que Jesus é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, e que toda a lealdade e obediência lhes são devidas. [...] O desejo de Deus é que os valores, as bênçãos e a prosperidade do Reino de Deus permeiem todas as áreas da sociedade. Esse era o aspecto mais importante que Jesus tinha em mente quando esteve na terra.“1

“Porque Reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17.21), disse Jesus. A vontade de Deus é que Seu Reino seja tão extenso quanto o tamanho do planeta Terra. Mas isso só será possível quando os cristãos se responsabilizarem por levá-lo onde quer que vivam, trabalhem e congreguem.

Precisamos renovar a nossa mente e não mais pensar no mercado de trabalho como algo que se opõe à espiritualidade. Um grande avivamento acontecerá quando derrubarmos os muros que existem entre Religião e Trabalho.

Sendo assim, entendemos que o objetivo maior da missão da Igreja é a implantação do Reino de Deus na Terra. Uma transformação espiritual e social que ocorre a partir do momento em que não desassociamos a prática religiosa, isto é, a fé, da responsabilidade social.

O Reino de Deus e seus novos valores devem ser manifestos em todos os tipos de relacionamentos humanos, inclusive no profissional. Por causa do seu forte senso de missão, Jesus lutou e morreu na cruz. Ele instruiu os seus seguidores a continuarem a Sua obra de proclamação do Reino (Jo 20.21s).

1. Peter Wagner. Os cristãos no ambiente de trabalho. São Paulo: Editora vida, 2007, p.15.

Trabalho e Ética

Postado por Roberto Marques,

Creio que a maioria dos desvios éticos que ocorrem nas corporações empresariais, não se diferencia dos ocorridos nas corporações eclesiásticas.

Acredito que os executivos não enfrentam menos tentações que os pastores. A corrupção nos negócios é um fato tão real quanto na religião. Por outro lado, existem empresários tão honestos quantos muitos pastores.

De uma maneira geral, o cotidiano de empresas e igrejas reflete os efeitos do pecado no mundo, que é o fruto da carne (Gl 5.19,20). Mas o verdadeiro cristianismo se expressa pelo fruto do Espírito que é o “amor, a alegria, a paz, a longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gl 5.22,23). Esses são valores do Reino válidos tanto para as corporações como para as igrejas.

O ministério cristão deve ser feito por 100% dos cristãos. Tanto pelos cristãos que desempenham funções ambiente da igreja (pastores, dirigentes de louvor, professores de escola dominical, diáconos etc.), como pelos cristãos que desempenham funções no ambiente de trabalho (gerentes, supervisores, operários, fazendeiros, jornalistas, etc.).

Portanto, qual a diferença entre um trabalho e um ministério? Nenhuma, quando os dois estão a serviço do Reino de Deus. Segundo Peter Wagner (2007): “Um trabalho torna-se um ministério quando Deus o leva a determinada área de trabalho e você leva a voz e a unção de Deus, bem como os princípios bíblicos, para aquele local enquanto trabalha e ministra.”1

Concluímos, pois, que a ética cristã deve ser plenamente exercida tanto pelos ministros no ambiente congregacional quanto pelos ministros no ambiente profissional. Afinal, a regra áurea “Daí, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21) é uma ordenança que vale para qualquer ambiente onde estiver o cristão.

1.Peter Wagner. Os cristãos no ambiente de trabalho. São Paulo: Editora vida, 2007, p.137.

Empresários: uma casta espiritual inferior?

Postado por Roberto Marques,

“Aquilo que os cristãos fazem no ambiente de trabalho é uma forma legítima de ministério cristão” (Peter Wagner).

Esse conceito é também a premissa básica do Movimento Fé e Trabalho. Na Bíblia a palavra hebraica para “trabalho” (avodah) tem o mesmo sentido de adoração, ministério ou culto (Gn 29.27; 1Cr 28.21; Ez 44.14).

A palavra grega do NT traduzida por “ministério” é diakonia, que também é utilizada para “serviço”. O termo que os primeiros cristãos escolheram para descrever a sua adoração foi leitourgía, uma palavra que, como a hebraica avodah podia indicar “adoração ritual”, mas também “serviço público”.

Um dos principais obstáculos para compreender que o trabalho pode ser um ministério é a redoma do “ministério de tempo integral”. Essa idéia pressupõe que o objetivo último de cada cristão que deseja agradar totalmente a Deus é abraçar o ministério de tempo integral, seja como pastor, missionário, evangelista ou qualquer outra função “legítima” do ministério.

Assim, abraçar o plano A de Deus é a ordenação ao ministério, isto é, o ministério em tempo integral. Ter um empreendimento ou profissão fora da igreja é algo que tende a ser considerado o plano B de Deus para nossas vidas. Isso deixa uma ferida emocional naqueles que se encontram no mercado de trabalho, pois eles se sentem aprisionados no plano B de Deus. Comerciantes, industriais, agricultores, advogados, médicos, professores, e todos aqueles que não passaram três anos no seminário de teologia sentem-se como uma casta espiritual inferior, sujeitos a críticas e acusações de que “abandonaram seu chamado”, “amam o mundo e não a Jesus”. A pior acusação é que “essas pessoas decidiram não abraçar o ministério”.

A idéia de que o ministério é apenas realizado por teólogos ordenados reflete a distinção mutiladora entre clérigos e leigos. O inimigo tem promovido o desenvolvimento de um sistema de castas dentro do corpo de Cristo – aqueles que são chamados ao “ministério profissional” ou “ministério de tempo integral”: os “clérigos”; e aqueles que não têm esse chamado: os “leigos”.

“Tenho plena convicção de que todos nós que pertencemos ao corpo de Cristo somo chamados para o ‘ministério de tempo integral’. [...] Precisamos de uma terminologia e de um paradigma que trabalhe na eliminação do conceito de 'cidadão de segunda classe' no reino de Deus.” (Rich Marshall citado por Peter Wagner).

Texto baseado no capítulo “Ministros no ambiente de trabalho”, do livro “Os cristãos no ambiente de trabalho”, de Peter Wagner. Vida, 2007, p. 94-109.

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