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     O economista e filósofo escocês Adam Smith, que viveu no século XVIII, considerado o pai da economia moderna, passou para a história como o primeiro pensador a perceber o caráter benéfico da empresa privada. Em sua obra mais conhecida A Riqueza das Nações (1776), que continua sendo uma referência para gerações de economistas, procurou demonstrar que a riqueza das nações resultava da atuação de indivíduos que, movidos apenas pelo seu próprio interesse (self-interest), promoviam o progresso, a libertação das pessoas e o avanço do bem-estar comum.
     Adam Smith sabia que a procura da riqueza mudava o mundo para melhor - embora não tornasse os ricos mais virtuosos ou bem-intencionados – pois o seu valor social não está nas virtudes ou intenções de quem a gera, e sim nos efeitos de seu atos. Smith ilustrou bem seu pensamento ao atribuir seu bife do jantar não à benevolência do açougueiro, mas ao seu empenho em ganhar dinheiro vendendo carne.

Ganhar dinheiro para o bem de todos
     Uma frase de Adam Smith se tornou famosa: "Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta (self-interest), é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade." Como resultado da atuação dessa "mão invisível", o preço das mercadorias deveria descer e os salários deveriam subir. Smith acreditava na competição livre da iniciativa privada, com pouca ou nenhuma intervenção governamental, o que levaria à queda do preço das mercadorias e a constantes inovações tecnológicas.
     Segundo o jornalista J.R. Guzzo, que já foi diretor de redação das revistas Veja e Exame: “É dos seus lucros [das empresas] que vem aquilo de que a sociedade realmente precisa: empregos, pagamento de impostos, investimentos e a produção de bens e serviços a preços e qualidade melhores que os da concorrência” (Veja, 7/7/ 2010, p. 142).
      "A grande maioria dos bilionários enriqueceu criando produtos e serviços que tornaram a sociedade melhor - gerando empregos, conforto, bens para muita gente" (Época, 9/8/2010, p.62).
     Ayn Rand em um trecho do seu famoso livro A Revolta de Atlas (1957) diz:  "Para a glória da humanidade, houve, pela primeira e única vez na história, uma nação de dinheiro - e não conheço elogio maior aos estados Unidos do que esse. Pela primeira vez, a mente humana e o dinheiro foram libertados, e surgiu o verdadeiro criador de riquezas, o tipo mais elevado de ser humano - o self-mad man -, o industrial americano. Se me perguntassem qual a maior distinção dos americanos eu escolheria o fato de foram eles que criaram a expressão 'fazer dinheiro'."3

Altruísmo demagógico
       Os empresários do século XXI tentando convencer o público em geral, e provavelmente a si próprios, de que não são os “capitalistas selvagens” que a esquerda intelectual os acusa, passam a promover ações primordiais de “responsabilidade social” como obrigação empresarial - apoio às das cianças, jovens ou idosos; presevação do meio ambiente; compromissos com a sustentabilidade, a biodibersidade e a acessibilidade etc.
      Não podemos confundir filantropia com "altruísmo demagógico". A sociedade americana sempre teve uma cultura de filantropia. São comuns as generosas doações de ex-alunos às universidades onde estudaram. Em junho de 2010 o investidor americano Warren Buffett publicou carta na revista Fortune, a decisão de doar 99% de sua fortuna, a terceira maior do mundo, para a caridade. Buffett e Bill Gates, criador da Microsoft e   segundo homem mais rico do mundo (atrás do mexicano Carlos Slim), conseguiram convencer 38 bilionários americanos a doar a outros que não seus herdeiros pelo menos metade de seu patrimônio. A Fundação Bill e Melinda Gates é a maior instituição filantrópica do planeta.
   
A melhor filantropia
    O melhor que poderiam as empresa fazer pelo bem comum é cuidar em primeiro lugar dos próprios interesses (self-interest) – ou seja, GANHAR DINHEIRO.
    A melhor filantropia que o empresário pode fazer é produzir riquezas, isto é, bens e serviços que promovam o desenvolvimento social, criar empregos para os pais de família, gerar tributos que movimentem a máquina pública. Doar sua fortuna, em vida ou depois de morrer, não pode ser encarado como um esforço em "devolver" à comunidade aquilo que ganharam em vida. Mas um "ato final de filantropia".
     O empresário é um filantropo por excelência, um bem-feitor da Humanidade, mesmo sem a intenção consciente de ser. A clássica metáfora de Adam Smith sobre a “mão invisível' pode referir-se ao mercado, mas eu a credito à Deus. É a “mão invisível” de Deus, com suas leis universis de economia e mercado, que força o homem pecador em sua busca egoísta por riqueza a partilhar suas bênçãos, mesmo sem a intenção de fazê-lo ( veja Lc 5.6,7).
     O dia em que a prioridade das empresas for FAZER CARIDADE, doando seus serviços e produtos, adeus sociedade moderna, adeus civilização. O estado de perfeito equilibrio social é uma condição que só será possível na Nova Terra, mas por enquanto ainda estamos aqui.
    Empresário: a subsistência do outro depende do seu sucesso. Esta é uma verdade que você precisa reconhecer urgentemente. Por isso, o Senhor o chama para que seja bem-sucedido em sua profissão ou no negócio.

Fonte:
1. J.R. Guzzo. Para o bem de todos. Revista Veja, Editora Abril, 7/07/2010, pag. 142.
2. Adam Smith. http://pt.wikipedia.org/wiki/Adam_Smith
3. A Revolta de Atlas, de Ayn Rand (1905-1982), é uma apaixonada defesa do capitalismo e da livre-iniciativa (liberarismo econômico) contra o avanço do estatismo oportunista e do altruísmo demagógico.
4. Vai 1 bilhão aí? Revista Época, Editora Globo, 9/08/2010, Editora Globo, p.62.

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