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Medo do Desconhecido X Tédio do Conhecido

Postado por Roberto Marques,

"Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia." (Hb 118)

Fala-se muito em “medo do desconhecido”, mas pouco do “tédio do conhecido”, do que é seguro, estável, garantido, rotineiro, da vida vivida "como se deve" e não "como se deseja" ou "como se gostaria".

Existe um princípio de vida que muitos negligenciam: o princípio da Não-Contradição Existencial. Ele reza o seguinte: "é impossível sentir-se seguro e sentir-se vivo ao mesmo tempo. A alma da aventura é o inesperado, o desafio, a ameaça!" (J.A. Gaiarsa).

Na raiz dessa contradição existencial há um processo neurológico básico: somente nos sentimos vivos quando há variação de estímulo. Sabe-se que diante de estímulos monótonos as pessoas tendem a deixar de percebê-los, acostumam-se a eles, e tudo se passa como se não existissem - nem o estímulo nem o sujeito! Monotonia é a morte.

O desejo de segurança é um desejo inconsciente de morte. Para a Biologia a optoptose é o suicídio espontâneo da célula ou do ser vivo, programado no DNA e ativado quando a célula ou o ser vivo não tem mais ou nunca teve função. Quando a vida perde o sentido, o estresse, a depressão, o medo crônico de tudo, a vontade de morrer, enfim, quando o sistema defensivo do organismo esgota-se pelo esforço inútil de permanecer vivo, a "execução" é realizada. Talvez muitas doenças mortais, que hoje não se encontra explicação, seja isso: o tédio.

Abraão, o patriarca dos israelitas, teve de ir para um lugar que ele não conhecia antes de experimentar o sucesso (Gn 12.1,2). José experimentou um sucesso extraordinário em uma nação desconhecida para ele... o Egito (41.39-44). Rute libertou-se do seu passado em Moabe e rumou com Noemi para Belém, onde tudo era diferente, elá conde encontrou Boaz, um homem rico, e se casou com ele (Rt 1.16-19; 4.13).

Igualmente, se você quiser experimentar o sucesso que deseja, terá que ir a algum lugar onde nunca esteve antes.

OBS: Este texto é uma paráfrase do artigo “Entre neste novo mundo - como será o futuro” de J.A. Gaiarsa. Disponível em: http://www.velhosamigos.com.br/Autores/Gaiarsa/gaiarsa21.html

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