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     A forma bíblica de compreender a vida, a forma hebraica, é que só existe um único nível superior do mundo. Para os hebreus, o reino espiritual e o reino natural formam um só nível: DEUS. Todo o resto, visível ou invisível, está abaixo de Deus. Viam a presença divina e Sua Palavra em todas as coisas, através de todas as coisas e sobre todas as coisas.
     A vida espiritual e material dos hebreus era uma unidade inseparável. Conquistas espirituais refletiam em conquistas materiais e, vise e versa. Quando iam bem espiritualmente, venciam guerras, faziam grandes colheitas, conquistavam territórios, tinham abundância de tudo. Quando se afastavam de Deus, eream derrotados nas batalhas, perdiam colheitas, enfrentavam secas e pestes e até, escravidão e morte.
     Já de acordo com Platão (427-347 a.C), o mundo está dividido em duas esferas: uma superior e outra inferior. Ao nível mais elevado chamou de “forma’, que consistia nas idéias eternas. Ao nível mais baixo chamou “matéria”, que era temporal, físico e imperfeito. Platão localizou o “trabalho” e as “ocupações profissionais” nos reinos inferiores.
     A filosofia platônica ensinava que existe um reino espiritual que está separado e é distinto do reino físico, portanto quanto mais espiritual você for, menos ligado à matéria será. Para o dualismo grego, o ambiente profissional era “carnal”, porque lidava com “coisas terrenas”, tais como negócios e dinheiro.

Monasticismo medieval
     Por volta do século IV, a igreja cristã, alinhada com o imperador Constantino, adotou e promoveu a cosmovisão grega, e não a hebraica, por toda a Idade Média.
     Os clérigos, a fim de atestar sua espiritualidade superior, foram obrigados a fazer votos de pobreza, de castidade e de obediência. São Francisco de Assis, filho de pais prósperos, renunciou à tudo e vez um voto com a senhora Pobreza até o fim.
     O dualismo grego adotado pela igreja católica contaminou seriamente o protestantismo. John Wesley também tinha a pobreza em alta estima. O voto de pobreza se manteve em nossas igrejas evangélicas. Ele se transformou em uma maldição institucional para o corpo de Cristo. A maioria dos crentes de hoje rejeita a idéia da castidade e da obediência incondicional, mas mantêm firme a crença monástica de pobreza como um sinal de espiritualidade.
     Assim, o pensamento monástico de que “a igreja é boa e o mundo é mau” emergiu do paradigma grego.

Conclusão
     Enquanto os gregos consideravam o reino espiritual separado e superior ao reino material (incluindo o trabalho), os hebreus os consideravam uma entidade única sob a mão de Deus.
     A conclusão a que podemos chegar da perspectiva hebraica é que o nosso trabalho, realizado de segunda a sexta-feira, é uma forma de ministério tão sagrado quanto às atividades realizadas na igreja aos domingos.

Fonte:

Peter Wagner. Os cristãos no ambiente de trabalho. SP: Editora vida, 2007, p 17,18.

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